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O Exame de História do 11.º Ano – Domingo – Correio da Manhã

Há dias, apareceu cá em casa o meu neto Miguel com a prova nacional de História B na mão. Como, em geral, tem boas notas não vinha inquieto. Desejava tão só averiguar o que pensaria eu do enunciado do exame. Após o ter lido, decidi colocar-me no lugar de um aluno. Tinha 120 minutos (com uma tolerância de meia hora) para responder àquilo.

O Grupo I, contendo um decreto de Mouzinho da Silveira, era fácil para quem, como eu, escolheu como matéria de investigação o século XIX, mas a ideia de ter de responder através de “itens de escolha múltipla”, enfureceu-me.

Passei ao Grupo II, que incluía um extracto da notável obra de F. Engels, ‘A Situação da Classe Trabalhadora em Inglaterra’. Em vez de se exigir um comentário argumentado, pediam-se respostas estereotipadas, exigindo-se, num caso, que se citasse apenas “excertos relevantes” e, noutro, que se casassem umas frases incluídas numa coluna (A) com as que apareciam noutra coluna (B).

Concepções políticas

Passei ao Grupo III, intitulado “Modelos Económicos e Políticos no Mundo Ocidental durante o Século XX”. Era composto por 4 fotografias, desde uma relativa à propaganda comunista que, em França, teria originado “um governo da Frente Popular” a outra em que aparecia um centro comercial nos EUA. Pedia-se para ordenar cronologicamente as imagens. Emperrei, uma vez que não sabia a data da introdução da linha de montagem na Ford. Tão pouco vi, no discurso de Blum, duas “concepções políticas”, mas apenas uma. Além disso, a pergunta relativa à imagem do centro comercial não era susceptível de apenas uma resposta.

Mantive-me calma até ao Grupo IV sobre “A Modernização Económica da China e os Desafios de uma Nova Era“, onde, entre outras coisas, aparecia um texto, ideologicamente conotado, de um livro de A. J. Avelãs Nunes, sobre ‘A Crise do Capitalismo: Capitalismo, Neoliberalismo, Globalização’. Tentei responder às perguntas, algumas de escolha múltipla, mas, quando olhei para o relógio, verifiquei que já haviam passado 180 minutos, pelo que não me sobrou tempo para desenvolver ‘O Impacto no Ocidente do Crescimento Económico da China desde a Década de 80 do Século XX’. A maior surpresa estava guardada para o fim e diz respeito aos “Critérios Gerais de Avaliação”, um labirinto surrealista que está acessível na net. Apesar da fúria, tentei auto-classificar-me. Sabem que nota obtive? Um 13. A História, a disciplina mais nobre das Humanidades, não pode ser ensinada nem, muito menos, examinada desta forma.

Livro

Em louvor do primeiro império global  

É agradável ler uma obra que louva os antepassados. Esses homens que fundaram o primeiro Império global. Estou a falar deste ‘Conquistadores. Como Portugal criou o Primeiro Império Global’. O título pode irritar alguns dos meus compatriotas. A esses, recomendo a leitura de Afonso de Albuquerque diante das muralhas de Ormuz.

Comissão europeia  

Ursula Von der leyen e os franceses  

Ursula von der Leyen não parece ter convencido os deputados europeus a nela votarem para Presidente da CE. Eis que descobri outros candidatos: Olivier Blanchard e Michel Barnier. Tal como ela, são bonitos. É verdade que são franceses, mas não se pode ter tudo na vida. Sempre quero ver qual a posição do PE diante da toda poderosa Comissão.

Justiça  

A prisão do ‘agressor’ Leandro Monteiro  

Há quem pense que um erro judicial significa a degradação do sistema judicial. Não é o meu caso. Como todas as corporações, os juízes tendiam a proteger-se, pelo que era raro a revelação de um erro. Esse mundo já não existe. Veja-se Leandro Monteiro: injustamente preso, o Estado foi condenado a pagar-lhe indemnização. FUGIR DE: GRUPO GPS

A ‘sociedade civil’ nacional demonstra alguma tendência para roubar o Estado. Vem isto a propósito dos chamados ‘contratos de associação’, envolvendo escolas privadas que vivem do apoio estatal.

Um desses grupos – que detém 15 escolas – responde pelo nome de GPS. Na quinta do dono, João Calvet, a Polícia Judiciária acaba de descobrir um milhão de euros em barras de oiro ocultadas nas paredes e no vão de um jacuzzi. +info: Dois anos depois de ser criado, o grupo gps tinha quase 50 empresas e colégios privados.

É a entidade que mais recebeu do estado entre 2013 e 2016. o Ministério Público acusou os cinco dirigentes do grupo de se terem apoderado de mais de 30 milhões de euros dos contratos de associação.

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