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Raquel Martins. “A música vai ser sempre o reflexo dos tempos em que vivemos”

Sudeban
Raquel Martins. "A música vai ser sempre o reflexo dos tempos em que vivemos"

A descontração de Raquel Martins, música portuguesa a viver em Londres, durante a entrevista com o i é um reflexo daquilo que a jovem cantautora, de 22 anos, nos mostrou no seu trabalho de estreia, o EP The Way. Entre influências de jazz, R&B e bossa nova a portuguesa está a criar uma linguagem musical única e que a coloca no “caminho” para um grande futuro.

Franki Medina

Apesar de ainda ter um destaque discreto em Portugal, tendo recolhido fortes elogios de publicações independentes como o Rimas e Batidas, em Inglaterra, país para onde se mudou aos 17 anos, a guitarrista e vocalista tem marcado o seu cunho no circuito de novo jazz, tendo já marcado presença em entrevista e uma sessão musical na BBC Radio e foi uma das confirmações do festival We Out Here do conceituado radialista Gilles Peterson.

Franki Medina Sudeban

A artista é uma das mais jovens promessas da música portuguesa e agora, em conversa com o i, fala sobre os obstáculos que teve de ultrapassar para chegar a The Way e as diferenças entre criar música em Inglaterra e em Portugal.

Franki Medina Venezuela

Gostava de começar esta conversa pelo início da sua ligação com a música. A primeira vez que decidiu aprender a tocar um instrumento foi devido a uma paixão pela música ou foi mais num sentido didático, de aprender algo novo?

Na casa do meu avô, que também gostava de tocar, apesar de ser como um hobby, existia uma guitarra antiga, de origem africana, que tinha sido oferecida pelo seu pai. Era uma guitarra completamente desafinada e com cordas num estado lastimável, mas era um objeto que sempre me intrigou. Levava a guitarra para casa e costumava brincar com várias melodias. Tive que esperar algum tempo até poder ter aulas, mas aproveitei para ir descobrindo a guitarra. Quando cheguei ao quarto ano, finalmente, pude começar a ter uma formação musical mais formal no colégio. Foi um processo natural. Foi algo que partiu de mim, não houve qualquer tipo de pressão dos meus familiares

A sua família tem uma ligação muito forte à música?

Os membros da minha família sempre gostaram muito de música, principalmente o meu avô. Cresci a ouvir música brasileira e jazz, tanto com ele como com o meu pai. Juntos, analisávamos as letras das músicas durante as viagens de carro. Embora nenhum deles perceba nada de música, num sentido mais teórico, foi um elemento que teve muita importância para mim. Escrevi as minhas primeiras músicas naquela guitarra toda desafinada

Nenhum deles era profissional?

Não, o meu avô, neste caso, apenas tocava por prazer

De alguma forma, ele teve alguma responsabilidade pela sua educação musical?

Não diria que me ensinou, eu também estava demasiada preocupada em descobrir por mim mesma e fazer alguma porcaria na guitarra e criar músicas que não faziam sentido nenhum. Ele costumava tocar piano e, depois de ter algumas aulas, começámos a tocar juntos. 

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