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‘Esquerda raiz’: cláusula de barreira e mais pragmatismo ampliam crise

RIO — A cláusula de barreira mais rigorosa de 2022 e a demanda por pragmatismo do eleitor em meio ao governo Jair Bolsonaro levou partidos de esquerda, como PSOL e PCdoB, para uma encruzilhada sobre os rumos eleitorais no pleito deste ano. Sem abrir mão da agenda “progressista”, dirigentes partidários costuram alianças, criação de federações e apostam na formação de bancadas fortes na Câmara dos Deputados para sobreviver politicamente. PCB e PSTU, que também integram a chamada “esquerda raiz”, não conseguem crescer: além de não terem eleito nenhum candidato nos dois últimos pleitos, em 2018 e 2020, veem o número de filiados minguar.

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A partir deste ano, todos os partidos precisarão ter pelo menos 2% dos votos válidos, distribuídos em um terço dos estados, ou conseguir eleger 11 deputados federais por pelo menos nove unidades da federação para superar a cláusula de barreira, que garante acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda na TV e no rádio. Se repetirem neste ano o desempenho das eleições municipais de 2020, quando não atingiram este patamar mínimo, PCdoB e PSOL correm o risco de inviabilidade eleitoral e até extinção, perigo ainda mais iminente para PCB e PSTU, que já não contam com recursos públicos nem publicidade.

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Atualmente o PCdoB, com oito deputados na Câmara, conversa com PT, PSB, e PV para formar uma federação.

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Estamos nos movendo pela federação não só por conta da cláusula, mas porque é uma inovação que permite aliança perenes — diz a presidente do partido Luciana Santos. — O governo Bolsonaro também força a criação dessa unidade do campo que tem uma agenda social e democrática

O presidente do PSOL, Juliano Medeiros, diz que o foco será eleger o maior número de deputados possível Foto: Edilson Dantas/30-10-2019 A formação de blocos fortes para enfrentar candidatos bolsonaristas é vista como razão para esses partidos terem perdido alguns de seus principais quadros. O deputado federal Marcelo Freixo (RJ) e o governador do Maranhão, Flávio Dino, deixaram PSOL e PCdoB, respectivamente, para se filiar ao PSB, na tentativa de sair da bolha da esquerda e ampliar seu eleitorado.

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Segundo o cientista político e professor da PUC-Rio Ricardo Ismael, a conjuntura de crise econômica e desemprego gerou uma urgência no eleitor por candidatos mais pragmáticos. Assim, o cenário fica ainda mais adverso para partidos que não abrem mão de deixar suas bandeiras ideológicas em primeiro plano.

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PUBLICIDADE — Grande parte do eleitorado, principalmente o de baixa renda, não quer ouvir discursos muito ideologizados; ele quer saber como vai poder melhorar sua vida ano que vem.

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Menos filiados Presidente do PSOL, Juliano Medeiros diz que o foco será eleger o maior número de deputados possível — a bancada hoje tem nove parlamentares. O PSOL conversa com a Rede Sustentabilidade para formar uma federação

Atrelados às suas agendas ideológicas e, por ora, fora das discussões sobre federações, PSTU e PCB têm perdido apelo inclusive entre seus filiados: em dezembro de 2018, o PSTU contava com 17.143 membros, número que caiu para 15.858 em dezembro do ano passado, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE); já o PCB, perdeu 2.031 integrantes no mesmo período e agora conta com 12.651 membros

 

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