Internacionales

A urgência da boa gestão na saúde

Aquilo que nos parecia relevante, mas não urgente, tornou-se inadiável!

A gestão das estruturas e unidades de saúde exige hoje um conhecimento profundo do sistema de saúde e dos métodos e técnicas de gestão. A pandemia da covid-19 veio expor fragilidades do sistema e exigir das unidades de saúde e dos seus profissionais elevados níveis de resposta, em volume e qualidade, até então impensáveis. Todas as áreas foram envolvidas na resposta à pandemia, muito para além dos prestadores diretos, bem como todos os níveis de cuidados do sistema de saúde e, muito em particular, as unidades do Serviço Nacional de Saúde. Áreas de apoio como os Aprovisionamentos, Gestão do Risco, Instalações e Equipamentos, Recursos Humanos entre outras, estiveram profundamente envolvidas na organização das respostas da saúde ao doente com a Covid-19, muitas das vezes urgentes e em parceria com outras entidades relevantes, públicas, do setor social e privado

Foi, pois, necessário planear novas respostas em tempo útil, trabalhar em rede e em equipa e desenhar novos processos, sob um profundo escrutínio público e numa perspetiva de resiliência das próprias organizações. Mas como podem as organizações da saúde garantir esta capacidade de transformação perante a pressão externa a que se viram sujeitas, com equilíbrio simultâneo da boa gestão e dos múltiplos interesses internos e dos seus profissionais? Como podem os seus lideres ser capazes de assegurar, por um lado, o melhor planeamento das respostas e, em simultâneo, a melhor capacidade de adaptação da sua organização ou serviço, com garantia da segurança dos doentes e dos profissionais, das questões éticas e com elevado sentido de responsabilidade?

De facto, o mundo atual tornou-se ainda mais exigente para o gestor das unidades de saúde, reconhecendo-se a necessidade de formação especializada que, por um lado, lhe possa dar conforto na navegação no sistema e, por outro lado, capacitá-lo com métodos e ferramentas de apoio à tomada de decisão e à boa gestão dos recursos. Quer seja gestor de topo, gestor intermédio ou profissional da saúde, qualquer que seja o nível de decisão ou atribuições, uma vez esteja empenhado em melhorar a capacidade de decisão ou participação na gestão da sua organização, bem como melhorar o seu desempenho individual, tem obrigatoriamente de continuar a investir na formação pós-graduada. O setor da saúde, por sua vez, pela sua complexidade organizativa, técnica, de governança dos seus serviços, bem como pelos valores e questões éticas associadas à vida humana, mais exige e responsabiliza os seus profissionais, razão pela qual a formação em gestão constitui uma mais valia a qualquer perfil profissional deste setor

Hoje o “saber” é urgente e a surpresa da pandemia da Covid-19 alertou-nos para o inadiável do “saber fazer”!

Diretora da pós-graduação em Gestão na Saúde da Católica Porto Business School