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“Poder aéreo russo neutralizou Forças Armadas Ucranianas”

Em directo. Siga os últimos desenvolvimentos sobre a guerra na Ucrânia Especial: Guerra na Ucrânia Uma das imagens mais esclarecedoras da situação que se vive na manhã desta sexta-feira na capital ucraniana é a ultrapassagem numa radial de dois tanques russos a um autocarro articulado de transporte público vazio. É um símbolo de uma realidade que, hora a hora, piora

“O poder aéreo russo neutralizou as Forças Armadas Ucranianas, que ficaram sem aviões, helicópteros e algumas pistas”, analisa, ao PÚBLICO, o general na reforma Raul Cunha. Em síntese, sem Força Aérea a capacidade de resiliência dos militares de Kiev pouco resistiu

Raul Cunha, com experiência em missões internacionais de paz em cenários complexos como os Balcãs ou o Afeganistão, e que na Croácia comandou oficiais russos e ucranianos que ali estavam como observadores, não tem dúvidas. Não há forças armadas terrestres que combatam sem apoio aéreo

“As tropas russas na Ucrânia são mais do que suficientes” , anota o general, registando a sua rápida progressão rumo à capital ucraniana, depois de passarem por Chernobyl nesta quinta-feira. Aliás, com evidente sinal político, as tropas de Moscovo começaram a concentrar-se esta manhã no designado “bairro governamental”, onde estão sediados os ministérios e o poder político da Ucrânia

O apelo à resistência civil, entre os quais o recurso de “cocktails molotov” contra os tanques e blindados da Federação Russa, seria heróico, mas de duvidosa eficácia. “Isso não afecta os materiais dos novos tanques, é mandar gente para a morte e, a estas horas, não se vislumbra uma resistência dessas, de guerrilha urbana”, comenta Raul Cunha. A denominada defesa territorial seria, deste modo, insuficiente

No entanto, o militar admite que ao longo do território ucraniano possam existir algumas bolsas de resistência. “Das quais não temos informação”, salienta

A distribuição de armas à população que, segundo algumas informações, terão chegado às mãos de cera de 20 ou 30 mil civis, quando o exército de Kiev parece pouco eficiente, não permite a compreensão da posição das autoridades. Ou seja, se admitem render-se ou enveredam pela guerrilha urbana, que teria elevados custos em baixas e na destruição da cidade

Quanto à comparação das “forças em presença”, apesar do reforço de material das Forças Armadas Ucranianas por parte do Ocidente, nomeadamente dos Estados Unidos, a partir de 2014, há uma gritante desigualdade. “Os ucranianos foram atropelados”, sintetiza, ao PÚBLICO, um militar com vasta experiência em missões internacionais